Auxiliares políticos de Lula não sabem o que fazer com a influência da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, Janja, sobre as decisões do presidente da República – e, por consequência, do governo. Um auxiliar do presidente citou ao Bastidor duas situações que causaram incômodo e uma que resultou em constrangimento.
Tanto a demissão do ex-ministro Gonçalves Dias do GSI como a desistência do governo de cobrar impostos sobre as compras em sites chineses tiveram a influência direta da primeira-dama após perceber que, nas redes sociais, o governo perdia a disputa de versões. No caso de GDias, ela tinha diferenças com ele desde a campanha eleitoral.
Os constrangimentos ocorrem mais em viagens internacionais, quando Janja quer participar de encontros e de discussões que não lhe dizem respeito. Por vezes, ela coloca a diplomacia na difícil situação de lhe dizer “não”.
Na viagem a Portugal, Janja fez questão de participar de alguns encontros em que não estavam presentes nem a mulher do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, nem a mulher do primeiro-ministro, Antônio Costa. Pela lógica, ela também não deveria participar.
As tantas interferências de Janja nas decisões do presidente incomodam petistas, aliados e até quem normalmente aponta sinais de machismo nas críticas à primeira-dama. Mas ninguém sabe como agir, já que o único capaz de estabelecer limites é Lula.

