Com as muitas viagens internacionais de Lula, Geraldo Alckmin tem assumido a Presidência da República com muita frequência. O presidente já foi, em quatro meses, à Argentina, aos Estados Unidos, à China, a Portugal e à Espanha.

Na próxima semana, Lula viaja para o Reino Unido e articula ir de lá para França. No fim do mês, há o convite para fazer parte da reunião do G7 (grupo das 7 economias mais ricas do mundo, incluindo a União Europeia) no Japão. Lula não decidiu se vai.

Todo este tempo no comando do país, principalmente por ser apenas provisório, o vice-presidente é muito cuidadoso para não melindrar —menos o próprio Lula e mais— os aliados do presidente.

O nível de cuidado de Alckmin é tão alto que, na segunda-feira (24), na festa de aniversário de José Sarney em Brasília, o vice preferiu deixar a festa mais cedo, assim que alguém lembrou aos demais que era ele o presidente em exercício e começou a formar uma fila para fotos.

Segundo seus aliados, Alckmin quis evitar ruídos na comunicação.

O vice-presidente também não despachou da cadeira de Lula, apesar da orientação do próprio presidente. Ele prefere usar uma sala de reuniões anexa ao gabinete presidencial. E, segundo auxiliares seus, não pretende se sentar na cadeira de Lula até o fim do mandato.

A maneira cuidadosa com que Alckmin ocupa a Presidência da República chama atenção do próprio presidente. Lula comentou numa conversa recente durante viagem a Portugal que se sente tranquilo em deixar seu vice no comando.