Ao fazer pouco caso da CPI do MST, cujo requerimento foi lido nessa semana por Arthur Lira, o governo age como se estivesse numa “operação padrão”, agindo só o necessário e “fazendo de conta” que está trabalhando, como admitiu um integrante ao Bastidor.
Na avaliação dessa fonte, a comissão dificilmente poderá envolver o presidente em qualquer escândalo —“não há nem tempo de governo para isso” — ou mudar a correlação de forças.
Na avaliação desse auxiliar do presidente, ao nem deixar o governo se estabelecer para promover ocupações pelo país, o MST “tentou colocar uma faca no pescoço” da gestão. Lula não gostou. Agora, com a CPI, é o MST que precisa do governo.
A falta de discussão para os futuros integrantes, como mostrou o Bastidor, é apenas parte dos recados que o governo dá ao movimento. Há outros. Como a promessa a Arthur Lira de que seu primo não deixará o comando do Incra em Alagoas, apesar do movimento reivindicar a mudança.
Lula fez gestos, como convidar João Pedro Stédile, um dos líderes do MST, para a comitiva que foi à China. Não adiantou. No último fim de semana, o movimento promoveu novas ocupações. Sem falar das invasões, incluindo a da Embrapa e as de empresas privadas, sabidamente produtivas.
Pressionado por lideranças sem-terra, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, procurou na quarta-feira (26) o colega das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, responsável pela articulação do governo, para pedir ajuda para barrar a CPI.
A esperança de Teixeira, atendendo aos pedidos de lideranças do MST, é que Lira entendesse que faltava um fato determinado para a criação de uma CPI. Mas, para o presidente da Câmara, havia: as ocupações continuam.
Lido o requerimento, agora os partidos precisam indicar seus integrantes para compor a CPI. Arthur Lira trabalha para que o relator seja o ex-ministro Ricardo Salles.

