O ex-presidente Jair Bolsonaro vai seguir o “modelo Daniel Silveira e Anderson Torres” para se defender no caso da falsificação do seu cartão de vacinção. O nome da tática foi dado por um deputado do PL.

É possível que Bolsonaro fale da integridade dos aliados e amigos Mauro Cid e Max Guilherme, mas sem defendê-los de maneira mais contundente, sem dizer nada que o comprometa. Na prática, Bolsonaro vai abandonar os dois.

Para todos os efeitos, Bolsonaro não falsificou, nem mandou falsificar, seu cartão de vacinação e o de sua filha, Laura. Por isso, sua primeira manifestação foi dizer que não houve falsificação da sua parte.

O então deputado Daniel Silveira articulou uma ideia canhestra de golpe de Estado na presença de Bolsonaro. O presidente negou depois e Silveira pagou sozinho. O ex-ministro Anderson Torres está preso por contribuir por omissão com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Participou também do episódio da minuta do golpe. Bolsonaro jamais assumiu qualquer responsabilidade.

Ao chegar à sede do PL na manhã desta quarta-feira (3), Bolsonaro se disse surpreso com a prisão de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens e faz-tudo, e do amigo e segurança Max Guilherme. Inicialmente, admitiu, chegou a pensar se tratar dos casos das joias.

Adotou o discurso de vítima de uma perseguição tocada por Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral e integrantes do Supremo Tribunal Federal, e de Flávio Dino (Justiça), a mando de Lula.

Será este o tom. Em breve ele dará entrevista na linha de que tentam destruí-lo politicamente. Valdemar Costa Neto e assessores do PL ligados ao ex-presidente acham que é o melhor caminho a ser adotado, ao menos neste início: dizer-se inocente e perseguido.