Deputados do PT reforçaram à articulação política do governo que a relação com o União Brasil é das mais difíceis a ser resolvida.

Na noite de quarta-feira (4), por exemplo, deputados do União Brasil votaram de forma unânime contra o governo no caso dos decretos legislativos que suspenderam as mudanças de Lula no marco do saneamento.

Para tentar ter maior influência sobre a bancada de 59 deputados do partido, além dos três ministérios, o governo promete liberar emendas e nomear indicados.

Um gesto foi feito após encontro com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), quando Lula ordenou o repasse de emendas parlamentares que somam R$ 10 bilhões e estavam combinadas desde a aprovação da PEC da Transição. Lira disse que, para aprovar o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária, o governo deverá ser mais ágil na liberação de recursos e na nomeação de indicados.

Mas o dinheiro foi insuficiente para reverter o cenário a favor do governo na questão do saneamento e no PL das Fake News. Isso porque há ainda mais de R$ 9 bilhões parados, que faziam parte do chamado orçamento secreto. Deputados que reclamam da lentidão da articulação política do governo e esperam os pagamentos.

A bancada do PT levanta outro ponto que pode dificultar a relação com o União Brasil: as eleições municipais no ano que vem. Parte dos parlamentares da legenda já busca se distanciar do governo. O Bastidor já tratou da divisão interna ao noticiar que o presidente do partido, Luciano Bivar, está sem crédito junto ao governo.