O Itamaraty vive um momento de contradições: ao mesmo tempo que uma parte dos diplomatas anda satisfeita com as ocupações que Lula tem dado a Celso Amorim, seu assessor especial para assuntos internacionais – como ir a Ucrânia, Rússia e Venezuela – outra parte sente ciúmes.
A parte satisfeita é a que acha que Amorim fica melhor quando ocupado, pois quando não está, tenta tutelar o Itamaraty. É o grupo que acha que o ex-chanceler e assessor de Lula tem ideias megalomaníacas e, por vezes, mais atrapalha do que ajuda a diplomacia brasileira. Mas, quando ele se ocupa com grandes questões, deixa a diplomacia trabalhar.
A parte insatisfeita é a mais ligada ao ministro Mauro Vieira. É o grupo que acha que o assessor de Lula eclipsa o chanceler, atrapalhando-o inclusive de aconselhar adequadamente o presidente sobre rumos que entende ser o melhor para o país.
Apesar das futricas, Vieira e Amorim são próximos. Tanto o ministro como a sua secretária-executiva, Maria Laura da Rocha, foram chefes de gabinete do assessor especial de Lula na época em que ele era ministro das Relações Exteriores.

