Deputados do PT têm repreendido colegas que resistem em votar a favor do novo arcabouço fiscal. Na última hora, cerca de 60 parlamentares de esquerda assinaram um manifesto contra a inclusão do Fundeb, fundo que financia a educação básica, no limite de gastos. O documento foi entregue ao relator Claudio Cajado (PP-BA).
A maior parte da bancada petista avalia que qualquer mudança, na semana que a matéria vai a plenário, pode comprometer a aprovação.
Em conversa com O Bastidor, um deputado disse que alertou os rebeldes que o PT “ganhou a eleição, mas não ganhou o governo”. A vontade do partido era revogar o teto de gastos aprovado no mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB) e não colocar nada no lugar. “Mas não temos votos para isso”.
O novo arcabouço fiscal veio na esteira da aprovação da PEC da Transição, ainda em 2022, que abriu espaço no orçamento para o governo Lula. Em contrapartida, a gestão petista se comprometeu a apresentar uma proposta de uma nova âncora fiscal. O texto foi fruto de um acordo entre Cajado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
A matéria enfrenta resistência de partidos de esquerda, aliados do governo. Entre petistas, inclusive, há a compreensão de que, sem condições de aderir às emendas propostas pelo PSOL, a bancada do partido deve mesmo votar contra ao texto.
O PT agora busca unidade da bancada, mesmo que o Fundeb seja mantido no texto de Cajado. “Nós somos governo”, advertiu um petista aos colegas na Câmara.

