Apesar de ter vencido a disputa entre Ibama e Petrobras sobre a prospecção na foz do Amazonas, Marina Silva está certa de que, no mínimo, Lula não quis gastar energia do governo para evitar o esvaziamento das atribuições do ministério do Meio Ambiente.
É parcialmente verdade. A articulação política tentou segurar as mudanças no relatório de Isnaldo Bulhões (MDB-AL), até com a ajuda do senador Renan Calheiros, aliado do deputado. Não conseguiu. Entre as tantas mudanças, o Meio Ambiente não era prioridade; o principal era evitar o esvaziamento da Casa Civil.
O relatório era o possível, defende a articulação, para ser aprovado pelo Congresso. “Foi o que deu”, afirmou um articulador do governo ao Bastidor. Para a ministra, porém, a desculpa não cola.
Lula tentará acabar com a má impressão numa reunião nesta sexta-feira (26), em que vai receber Marina e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) para dirimir outras intrigas.
Ele quer saber de uma história que ouviu do ministro Rui Costa, da Casa Civil, sobre a condução do Ibama no processo dos estudos propostos pela Petrobras na foz do Amazonas. Costa disse ao presidente que a Casa Civil havia pedido ao Ibama informações sobre como estava o processo da estatal. Em vez de responder, o Ibama divulgou a reprovação ao pedido da Petrobras. Lula estava em viagem ao Japão.
Em sua avaliação ao presidente, Costa disse que Ibama e Marina Silva quiseram instrumentalizar a opinião pública para pressionar o governo a não apoiar a Petrobras na questão.
Ele enxergou no episódio uma manobra para mobilizar não só a opinião pública brasileira, mas também internacional. A França, por exemplo, costuma usar temas ambientais como recurso protecionista para postergar o acordo de livre comércio entre Europa e Mercosul.

