Ao longo do fim de semana, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, responsável pela articulação política, foi alertado por diferentes líderes e por Arthur Lira, presidente da Câmara, para que não tente derrubar o texto da medida provisória que reestruturou o governo, de Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Se isso acontecer, o risco é a derrota ser maior ainda.

Lula foi avisado por Padilha e determinou que a base, especialmente o PT, não apresente destaques à MP. O governo teme que, no limite, o Congresso deixe caducar a medida provisória, o que restauraria a estrutura da gestão Jair Bolsonaro, que tinha 23 ministérios e uma configuração completamente diferente da atual.

Segundo o relato de um auxiliar do presidente, Lula não gostou. Acha que parte do Congresso quer lhe tirar as prerrogativas de governar. Mas, para ele, quando a economia crescer, sua popularidade irá junto, os parlamentares não resistirão e vão se aproximar do governo.

A crença de Lula não é partilhada por seus auxiliares, que acham que o Congresso eleito é conservador e acostumado a trabalhar com o governo nas cordas. Portanto, com ou sem popularidade, Arthur Lira e seu grupo vão continuar a exigir agrados ou impor derrotas.