No Encontro com Líderes da América do Sul, em Brasília, faltou alguém que avisasse o presidente Lula sobre o campo de jogo e os jogadores envolvidos, que não era prudente entrar com um esquema ofensivo, porque a Alemanha era um time forte. Não é porque o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, estava presente e ninguém decidiu ir embora por causa disso, que Lula poderia defendê-lo e a seu governo. Lula fez isso e levou um 7 a 1 em casa.
Na segunda-feira, primeiro dia do encontro, Lula disse que a visão de que a Venezuela vive sob uma ditadura é uma “narrativa” espalhada por adversários. É um óbvio absurdo, do calibre de alguns cometidos em escala industrial por Jair Bolsonaro, como quando dizia ter havido fraude na derrota de Donald Trump, em 2020.
Lula errou feio e sofreu um desgaste desnecessário. Foi criticado por dois convidados, de espectros políticos opostos. Tanto o presidente do Uruguai, Lacalle Pou, um político de direita, quanto o do Chile, Gabriel Boric, um político de esquerda, discordaram frontalmente de Lula e condenaram o regime da Venezuela, como se faz no mundo civilizado. Coisa assim não é comum no relacionamento entre líderes nacionais.
O pior é que Lula comprou uma briga por algo que não renderá nada ao Brasil. Economicamente destroçada há anos, a Venezuela não é um grande parceiro comercial brasileiro. Em termos geopolíticos, o Brasil não tem chance de ser influente no vizinho, papel que já é exercido pela China.
Para a política interna, defender Maduro não traz qualquer apoio além da esquerda, que já está com Lula; só dá mais discurso para os bolsonaristas dispersarem vídeos nas redes sociais chamando Lula de defensor de ditadores que deixam pessoas morrerem de fome.
Será difícil para qualquer um encontrar uma boa razão para defender Lula por ter defendido Maduro num encontro com outros nove chefes de Estado. Por vezes, um 7 a 1 é inexplicável.

