Ao fazer um roteiro extenso de viagens ao exterior, Lula adotou o slogan “o Brasil voltou”. Imediatamente atendido pelos principais chefes de Estado do mundo, o presidente tem colocado seu capital político em risco e sido de motivo de preocupação no Itamaraty, segundo fontes na diplomacia ouvidas por Bastidor.
Neste momento, ainda é menos pela imagem do Brasil e sua diplomacia, disse uma fonte com trânsito no Itamaraty, e mais pela imagem do presidente. O encantamento inicial, de um democrata capaz de dialogar com respeito aos princípios humanísticos, vem perdendo seu brilho.
Para este diplomata, isso é um problema, já que Lula pretende fazer da luta ambiental e antirracista uma das marcas da sua gestão na política internacional.
Alguns dos erros de Lula foram suas declarações infelizes. O presidente igualou Rússia e Ucrania, sendo um invasor e o outro, invadido; atacou os Estados Unidos durante viagem à China. Os dois países vivem uma espécie de guerra fria. O Brasil não precisava tomar lado – nem deveria – porque um é o seu maior parceiro comercial e o outro, o segundo.
Nenhuma das declarações era necessária para a estratégia do Brasil de se colocar como um player internacional que defende o cessar-fogo imediato na Ucrânia e, para isso, se coloca como mediador para o fim do conflito.
Ainda houve a defesa de Nicolas Maduro na segunda-feira (29). Como pode Lula ser a voz da defesa dos direitos humanos no mundo —a causa ambiental e racial, são sobretudo direitos humanos— se trata como “narrativa” os fartamente documentados desrespeitos na Venezuela, questiona o diplomata brasileiro.
Nestes quase seis meses de governo, Lula esteve na Argentina, nos Estados Unidos, na China, nos Emirados Árabes, em Portugal, Espanha, no Reino Unido e no Japão. Foi recebido com prestígio por todos os chefes de Estado.

