Por trás da insatisfação de deputados e senadores com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, está a visão dele de que atender demandas do Centrão – liberação de emendas, indicação de cargos e eventuais mudanças em ministérios – pode até resolver problemas atuais, mas não poupará o governo de dificuldades no futuro.
Aliados de Costa no Congresso dizem que a postura do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com o governo Lula em muitos momentos é pior do que o tratamento dispensado pelo ex-deputado Eduardo Cunha à ex-presidente Dilma Rousseff.
A estratégia inicial do governo, com Rui Costa à frente, era negociar o pagamento de emendas e nomes para o segundo e terceiro escalões a cada votação no Congresso.
As dificuldades na aprovação da Medida Provisória que reestrutura os ministérios, o vencimento de outras MPs e a derrota no Marco Temporal, no entanto, demoliram esta ideia e tornaram a pressão sobre a articulação política do Palácio do Planalto difícil de suportar.
Na defesa de Rui e do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, petistas dizem que as emendas parlamentares têm sido pagas com agilidade. “Tem emendas que foram cadastradas neste ano e já foram liberadas”, diz um petista ao Bastidor. Ele lembra que o governo Lula pagou emendas acordadas ainda sob Jair Bolsonaro (PL).
Em relação aos cargos, em empresas como Codevasf, Correios e Banco do Brasil, a fonte diz que aliados de esquerda têm mais motivos para reclamar do que os líderes do Centrão. Na Bahia, por exemplo, o União Brasil indicou nomes para as três estatais. O presidente da Codevasf é uma indicação do líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento.
Costa e aliados defendem que, sem o orçamento secreto, o governo ficará com a faca apontada para o pescoço por lideranças do PP, União Brasil e Republicanos porque não vai conseguir atender às demandas, que não têm fim.

