O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, foi repreendido por um deputado do PT durante reunião com a bancada na quarta-feira (21).

Marcado para tratar do novo Plano Safra para a agricultura familiar, que será lançado na semana que vem, e divulgar ações do ministério e do governo Lula, o encontro virou uma sessão de reclamações do deputado Dionisio Marcon (PT-RS) sobre a falta de articulação de Teixeira e do Palácio do Planalto na CPI do MST.

O Bastidor já mostrou (aqui, aqui e aqui) que parlamentares petistas e integrantes do movimento avaliam que o governo demorou a agir e possibilitou que a oposição bolsonarista dominasse o colegiado com a presidência, vice e relatoria.

Na reunião, Teixeira ouviu que o governo entrou em campo tarde, ao escalar a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) para comissão. Nos últimos dias, fruto de um acordo, o Palácio do Planalto conseguiu emplacar Alencar Santana (PT-SP) e Lídice da Mata (PSB-BA) na comissão. Mesmo assim, para Marcon, é insuficiente.

“Não vai achar que a CPI não vai entrar na pauta do governo. Estamos sozinhos, só temos nós do PT, PCdoB, PSOL e, agora a Lídice”, afirmou o deputado. “Não se viu o ministro do MDA dizer ‘no que posso ajudar?’. Você tem que entrar em campo”.

Como resposta, Marcon ouviu que foi o governo o responsável pela ida de Gleisi, Alencar e Lídice para a CPI. “Isso não vem de geração espontânea. Vem de articulação política”, disse Teixeira. O ministro não quis revelar, mas disse ainda que há “uma articulação de outro tipo” para reduzir danos na comissão.

Nesta semana, o Bastidor revelou que há uma busca de acordo entre a base do governo e a oposição para usar as CPIs do MST e a do 8 de janeiro como moedas de troca.

A que investiga o Movimento dos Sem-Terra convocou João Pedro Stedile e José Rainha para depor, mas poupou, por enquanto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA). Já a CPMI que trata dos ataques de 8 de janeiro, após anuência da base governista, vai ouvir o ex-chefe do GSI de Lula, general Gonçalves Dias.