O deputado Washington Quaquá (PT-RJ) atribui ao governo parte da dificuldade de se colocar em votação as três matérias que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), havia planejado para esta semana: o retorno do voto de qualidade no Carf, a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.

“Espero que o governo ajude”, disse ao Bastidor na noite de terça-feira (4). “Com [liberação de] emendas e cumprindo o que prometeu”. Ou seja: ou o governo libera dinheiro público para causas indicadas pelos deputados ou nada feito.

Até a noite desta terça, a base governista contava 50 a 60 votos a menos que o necessário para aprovar a reforma tributária. Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 308 votos, no mínimo. Mas antes é preciso votar as mudanças no Carf, já que o projeto de lei tramita em regime de urgência.

Como mostrou o Bastidor, o governo teme que, ao se envolver mais diretamente, o preço per capita do voto fique mais caro. Há ainda a defesa do discurso de que a reforma é um projeto da sociedade e do Congresso, não do governo.

Parlamentares da base têm reclamado da ausência da articulação política do Planalto nas negociações. Em uma reunião do bloco formado por MBD, PSD, Republicanos e Podemos, o segundo maior da Câmara, ao menos um deputado criticou a postura do governo em meio às negociações. Está faltando articular mais dinheiro.