Insatisfeitos com o que consideram demora do governo em liberar dinheiro de suas emendas, deputados do Centrão usam a votação do projeto de lei que reestabelece o voto de qualidade no Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais) para pressionar o Palácio do Planalto.
Como o projeto tramita em regime de urgência, a pedido do governo, as demais matérias na Câmara ficam travadas até que o texto do relator Beto Pereira (PSDB-MS) seja votado.
Na noite de terça-feira (4), o líder do União Brasil, Elmar Nascimento, pressionou pela retirada da urgência para que as negociações em torno da reforma tributária e do novo arcabouço fiscal avançassem. Era uma forma, na verdade, de adiar o que para o governo é fundamental para fechar as contas – o Ministério da Fazenda calcula que a volta do antigo sistema do Carf pode proporcionar R$ 50 bilhões só este ano.
“O governo entende que o Carf é mais importante do que arcabouço e tributária”, disse ao Bastidor um deputado do Centrão. Nesta quarta-feira (5), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tentará novamente chegar a um consenso para pautar as matérias que se comprometeu a levar ao plenário nesta semana.
Após as ameaças das votações ficarem para a próxima semana ou só para agosto, o governo voltou a liberar emendas e atender alguns parlamentares. Há, ainda, a promessa de se concretizar a mudança no ministério do Turismo, com a troca de Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) por Celso Sabino (União Brasil-PA).
Até a noite de ontem, a base aliada não contava com votos suficientes para aprovar a reforma tributária.

