Parlamentares da base governista e do Centrão não descartam votar ainda nesta sexta-feira (7) o projeto de lei que reestabelece o voto de qualidade do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).

O governo acredita que avançou nas negociações com a Frente Parlamentar da Agropecuária, que se tornou um dos entraves para análise do texto. O problema, agora, se tornou o tempo exíguo para os deputados avaliarem, já que a discussão sobre a reforma tributária tomou a semana quase toda.

A autorização do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para que deputados possam votar virtualmente teve mais a ver com aumentar as chances de aprovar o PL do Carf do que com o texto da reforma. “Se distensionar [a relação Governo/Congresso] é possível votar nesta semana”, disse ao Bastidor o líder do MDB, Isnaldo Bulhões.

Entende-se por “distensionar” fechar um acordo com potenciais aliados do Centrão, como União Brasil, Republicanos e PP. As bancadas dos partidos cobram mais espaço no governo, além de um ritmo mais acelerado de liberação de emendas parlamentares. Nos últimos dias, o governo empenhou mais de R$ 7 bilhões.

O projeto do Carf é o principal interesse do governo. Nos cálculos da equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a mudança pode render R$ 50 bilhões extras este ano.

Caso o Carf e o texto do arcabouço fiscal não sejam votados antes do recesso, o Centrão aproveitará para cobrar mais dinheiro e cargos no governo Lula. Está previsto, segundo um deputado da base, novas mudanças no governo que vão muito além da substituição da ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) por Celso Sabino (União Brasil-PA) e podem envolver as pasta dos Esportes e do Desenvolvimento Social.