Lula sabe que, a preço de hoje, dificilmente terá sucesso em avançar em outra reforma, mas determinou à sua interlocução com o Congresso que trabalhe para aprovar a dos impostos sobre a renda e sobre o patrimônio. Na volta dos trabalhos do Congresso, em agosto, conversará com o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Seu governo quer convencer os parlamentares que este Congresso tem uma missão política reformista e com a oportunidade de tocar assuntos que os outros não quiseram ou não conseguiram mexer.

A reforma em questão é tão difícil quanto a tributária: pressupõe mudar a estrutura do Imposto de Renda, para cobrar mais dos mais ricos, inclusive com alíquotas acima da máxima atual de 27,5% e taxação de dividendos.

Integrantes da articulação sabem que o governo terá de negociar emendas com as bancadas caso se viabilize qualquer tipo de avanço nas propostas, mas também será bom para o presidente, que poderá fazer das reformas o legado do Lula 3, além de ajudar seu sucessor nas eleições de 2026.

Lula sabe também que o viés das reformas terão viés liberal, porque é o que é o Congresso hoje. Mas, se conseguir mexer na tributação dos bancos, nos ganhos dos mais ricos e conseguir diminuir a taxação sobre a classe média e os pais pobres, ficará satisfeito.

A classe média tem um histórico de rejeitar o petista, porque se sente alijada das políticas públicas desde 2003. É por isso que o presidente quer incluí-la como beneficiária em futuras reformas.

A dificuldade, avaliam seus auxiliares, está no fato de que no segundo semestre a Câmara voltará a se debruçar sobre o arcabouço fiscal, que regressou da Câmara depois de o Senado modificar o texto.

É também provável que os deputados voltem a analisar a própria reforma tributária, aprovada na última semana, com eventuais modificações que o Senado fará. E que as outras reformas demandarão certo debate. Mas a ordem é tentar.