Uma possível recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, defendida por alguns petistas e líderes do Centrão, causa desconforto em aliados do presidente Lula.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) já disse a Lula que seria um erro renovar o mandato de Aras. Oficialmente, ele usa como argumento a blindagem de Aras ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, no entanto, o discurso de Renan é mais objetivo: a recondução de Aras seria uma vitória do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de quem é inimigo figadal em Alagoas. Como mostrou o Bastidor, Lira e aliados têm interesse na continuidade de Aras por decisões recentes em seu favor.

A classe política elogia mais do que crítica o mandato de Aras à frente da PGR. O enfraquecimento da Operação Lava Jato – que blindou a classe política – é, em grande medida, atribuído a ele.

Apesar de ter sido escolhido por Bolsonaro, Aras tem fortes ligações com petistas da Bahia, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. O senador disse recentemente que o PGR contribuiu com a “volta à normalidade” depois de “um período complicado do ativismo judicial para caçar pessoas e reputações”.

Além de Aras, outros dois nomes são dados como os favoritos para a PGR: do vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, e do sub-procurador-geral da República Antonio Carlos Bigonha, que fez consultas informais para montar uma eventual equipe. O mandato de Aras acaba em setembro.