Provocou mais uma crise na comunicação do governo o anúncio de que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) elabora uma Política Nacional de Segurança Cibernética, que prevê a criação de uma agência para regular o setor e a possibilidade de cobrar imposto de usuários de internet.

Quem tratou do tema publicamente, em entrevista à Folha de S.Paulo, foi o chefe do GSI, general Marco Amaro. Com a repercussão negativa, a Secretaria de Comunicação (Secom) correu para desautorizar Amaro e dizer que “não há possibilidade” de o governo taxar usuários de internet.

O ministro da Secom, Paulo Pimenta, logo tratou de aumentar a fritura de Amaro na presidência da República. Afirmou que qualquer novidade tem de passar antes pela secretaria e por Lula, que só soube do projeto pela imprensa.

Pimenta, que é alvo recorrente de críticas, temia que a crise fosse atribuída, de novo, à sua pasta. Por isso, desde quinta-feira (13) repete que a responsabilidade é somente de Amaro e seus subordinados.

Amaro e o GSI não são unanimidade no Palácio do Planalto. O órgão contou com a oposição da primeira-dama Janja para reassumir a coordenação da segurança da presidência da República, em prejuízo à Polícia Federal. O anúncio do programa fez aumentar a rejeição.

O governo tem dito que o documento era apenas uma minuta restrita ao GSI. O trecho que trata da taxação dos usuários de internet foi ideia de um “técnico qualquer” do gabinete.