Com o risco de ser substituído, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT-PI), não conta com o respaldo que já teve de Lula ainda durante a transição de governo, no fim do ano passado.

Um petista, em conversa reserva com o Bastidor, lembra que foi dado a Dias a missão de negociar com o Congresso a aprovação da PEC da Transição, que permitiu à gestão petista aumentar em R$ 145 bilhões o teto de gastos para bancar despesas como o Bolsa Família, o Auxílio Gás e a Farmácia Popular.

O texto ficou travado por semanas. Quando o governo apresentou uma minuta do texto a senadores de deputados, em novembro de 2022, quem protagonizou a cena foi o vice-presidente Geraldo Alckmin, que entrou em campo por ordem de Lula para distensionar as negociações com as lideranças do Congresso.

O Desenvolvimento Social, pasta cara ao PT por ter o Bolsa Família, teria sido um prêmio ao ex-governador do Piauí, eleito senador, pelos votos de Lula no estado. Lula teve 76,84% dos votos válidos, seu melhor desempenho.

O ministério comandado por Dias agora é alvo de potenciais aliados do Centrão. O Bastidor já mostrou que, embora haja resistências do PT, deputados do partido já dizem reservadamente que “o Bolsa Família é uma marca já vinculada a Lula, independente do ministro”.

Lideranças do Centrão dizem que Lula de tem um discurso dúbio, que muda a depender da plateia. Dizem que ele não veta qualquer negociação justamente para alimentar os rumores e avaliar a aceitação de eventuais mudanças.