Apesar de vendida como uma vitória pelo presidente Lula, a declaração conjunta de Brasil, França, União Europeia, Argentina e Colômbia sobre a possibilidade cessar as sanções à Venezuela se houver “eleições justas”, é avaliada dentro do Itamaraty como um gesto diplomático sem efeito prático.

Lula está empenhado em acabar com o isolamento venezuelano. Mas encontra dificuldade, porque não há um ambiente democrático no país, nem qualquer indicativo de que a ditadura de Nicolás Maduro queira mudar isso.

A diplomacia brasileira sabe disso, bem como os diplomatas dos países que assinaram o documento, mas toparam a reunião em deferência a Lula. A insistência na defesa da Venezuela é vista como ato individual de Celso Amorim, assessor especial para temas internacionais da presidência.

Para uma fonte da diplomacia brasileira, Lula faria melhor se focasse sua energia em dois outros temas: avançar no acordo do Mercosul com a União Europeia – um desafio difícílimo, apesar das declarações otimistas – e, sobretudo, em conseguir financiamento para manter os avanços na proteção do meio ambiente e na produção de hidrogênio verde.