Ministros petistas têm definido o terceiro mandato de Lula como um governo com “profundas contradições” e de “opiniões muito distintas sobre questões estratégicas”.

Eles temem que a situação piore com o embarque do Centrão e uma eventual perda de espaço do partido na Esplanada dos Ministérios – embora, até agora, o PT tenha conseguido empurrar a conta para outros aliados.

Como vem mostrando o Bastidor, Lula vai anunciar nos próximos dias uma reforma ministerial que atenderá Republicanos, PP e União Brasil – que, em tese, já faz parte da base aliada.

A gestão petista enfrenta dilemas em temas como a exploração de petróleo na margem equatorial do Amazonas, que opõe a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Antes, houve divergências sobre a política econômica, que antagonizou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e setores mais à esquerda do PT. “É um governo em disputa”, disse recentemente um ministro petista a interlocutores.

Haddad saiu vitorioso ao bancar o novo arcabouço fiscal, que sofreu oposição no próprio governo. Na disputa pela exploração na região amazônica, Marina está em desvantagem, segundo um petista que acompanha a discussão.

Há ainda disputas entre Alexandre Silveira e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que não se bicam e volta e meia acionam Lula para deliberar nas discussões que envolvem os dois.

“A dependência do Centrão criou essa situação do governo ser cada vez menos do PT”, disse ao Bastidor um deputado de uma ala mais radical do partido.

Integrantes do partido têm sido cobrados por militantes que esperam, além de mais espaço no governo, uma postura mais à esquerda. Ouvem como resposta que as cobranças são justas e válidas, mas há pouca perspectiva de mudança.