Após as vitórias do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na aprovação das pautas econômicas -arcabouço fiscal, reforma tributária e Carf -, as críticas que parte da bancada do PT faz ao ministro arrefeceram, mas não acabaram.
Uma ala partidária considera “ousada demais” a ideia de zerar o déficit fiscal em 2024. Para atingir a meta, será necessário o governo gastar menos ou aumentar a arrecadação.
Para isso, avaliam os petistas, será inevitável o aumento da carga tributária, tema que sempre gera desgaste eleitoral para quem defende. Para aprovar as matérias, o governo retomará o discurso de que a saída é taxar os super-ricos no Imposto de Renda e na segunda fase da reforma tributária.
A ala mais à esquerda do PT apoia as medidas e o discurso oficial, mas discorda do compromisso de zerar o déficit no ano que vem devido às eleições municipais. “Seria prudente colocar o prazo em 2025, já sem o Roberto Campos Neto no BC”, disse ao Bastidor um deputado petista.
O presidente do Banco Central é alvo de ataques por conta da taxa de juros em nível alto, que segura o crescimento econômico – e, consequentemente, dificulta arrecadar mais para zerar o déficit.
O mandato de Campos Neto vai até o fim de 2024. Ele poderá ser o bode expiatório caso a meta do governo não seja atingida.

