Ajuda a explicar o mau-humor de Arthur Lira (PP-AL) com o governo, a crença de que seu adversário local, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), será um dos maiores beneficiados com a tramitação da reforma tributária. No final das contas, tudo se resume a Alagoas.
Lira tem em mente que, para aprovar a reforma tributária na Câmara, Lula mandou liberar 5,25 bilhões de reais na chamada emenda pix, aquela que o dinheiro do governo federal cai direto na conta das prefeituras e dos estados, sem grandes fiscalizações iniciais.
Se o governo repetir a prática no Senado, o presidente da Câmara está certo de que Renan Calheiros será um dos principais beneficiários – seja com repasse de dinheiro a Alagoas, seja por lhe conferir poder político sobre os demais senadores. Mais ainda porque o ministro dos Transportes, controlará parte dos projetos no estado.
Parece nada, mas para Arthur Lira está em jogo seu projeto político de conquistar a vaga do Senado em 2026, quando disputará diretamente com Renan. Até lá, ele precisa ter dinheiro para assumir projetos e obras no estado. Neste momento, a vantagem está com o adversário.
Arthur Lira quer garantir os seus indicados no governo antes de a reforma tributária passar pelo Senado, o que deve ocorrer somente no final de setembro ou início de outubro. Seu sonho é, com apadrinhados no Executivo, atrapalhar a vida de Renan.
Lula, porém, tem dito não ter pressa para fazer as substituições. Fontes do Palácio do Planalto especulam que somente após sua viagem à África do Sul para a reunião dos Brics, na penúltima semana de agosto, é que pode fazer as modificações para incluir PP e o Republicanos.
Assim, dizem os interlocutores, o tempo conta contra o presidente da Câmara.

