A indicação do economista Marcio Pochmann para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teve o dedo de Paulo Okamotto e de petistas históricos que hoje compõem as diretorias da Fundação Perseu Abramo e do Instituto Lula.

Pochmann preside o instituto, mas já tem data para deixar o cargo: 31 de julho, quando uma nova diretoria será eleita para o próximo triênio. Um dos cotados para substituí-lo é justamente Okamotto, que comanda a Perseu Abramo desde que o antecessor, Aloisio Mercadante, foi para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Okamotto não participa diretamente do governo, mas influencia. Antes de encaminhar a escolha de Pochmann para o IBGE, trabalhou para destituir Carlos Melles da presidência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A pressão resultou na renúncia de Melles e, posteriormente, na eleição do petista Décio Lima para o posto.

Amigo de Lula desde os tempos de sindicalismo, Okamotto não tem a proximidade que teve com o presidente nos primeiros mandatos. Um petista atribui o afastamento a dois fatores: a pouca relação com a primeira-dama Janja e o compromisso de trabalhar a relação do PT com a base.

Como mostrou o Bastidor, Lula já havia aceitado a sugestão de Okamotto para que Pochmann assumisse o IBGE. Sequer consultou a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Estava disposto a dar um tempo para a ministra preparar a pasta para a chegada de Pochmann, mas se irritou com o vazamento da informação e autorizou a antecipação do anúncio. O entorno de Lula atribui o vazamento ao ministério de Tebet.

 O discurso oficial é que está tudo bem, mas o gesto de Lula foi considerado mais uma desfeita à ministra.