Em negociação para ocupar o primeiro escalão em troca de mais votos ao governo no Congresso, PP e Republicanos já possuem cargos espalhados pelos segundo e terceiro escalões. Alguns estão em órgãos com orçamentos bilionários. Mas não só. Até a bancada do PL no Senado emplacou cargos no governo.
O presidente da Câmara e líder do grupo, Arthur Lira (PP), controla a superintendência da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) em Alagoas desde o governo Bolsonaro.
Seu primo, João José Pereira Silva, o Joãozinho, se mantém no cargo, apesar de ter sido nomeado por Bolsonaro e de ser condenado duas vezes por improbidade administrativa em primeira instância – portanto, ainda cabe recurso.
Ciro Nogueira (PP) tinha até abril a irmã Juliana e Silva Nogueira Lima como assessora da presidência da mesma Codevasf. Ela só saiu porque aliados do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social), adversário do senador no Piauí, alertaram para o erro de mantê-la, sendo o órgão tão sensível para o estado.
Já o líder do Republicanos, deputado Hugo Motta (PB), também tem a mulher na Codevasf. É ele quem está negociando, em nome do presidente da legenda, Marcos Pereira, a alocação do deputado Silvio Costa Filho no governo.
O orçamento do órgão previsto para este ano é de 800 milhões de reais, mas o volume pode passar a casa do bilhão, porque há as emendas para turbinar os gastos.
Até o PL emplacou gente no governo. O engenheiro Fábio Pessoa da Silva Nunes, ligado à bancada do partido no Senado, foi nomeado por Lula para uma das diretorias do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), cujo orçamento ultrapassa 18 bilhões de reais.
Antes do Dnit, Nunes foi diretor de Planejamento e Projetos Especiais do Ministério da Infraestrutura na gestão Tarcísio de Freitas, no governo Bolsonaro.

