Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quarta, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) trabalha para não perder o mandato. Seu método é conhecido: puxar figuras maiores para o caso, de forma que possa se apoiar nelas – no caso, Jair Bolsonaro e o dono do PL, Valdemar Costa Neto.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Zambelli e prendeu o hacker Walter Delgatti Neto, aquele da operação Vaza Jato, que depois se aproximou do bolsonarismo com a ajuda dela. A ordem partiu do Supremo Tribunal Federal.

Delgatti disse em depoimento que recebeu dinheiro de Zambelli para invadir o sistema do CNJ e produzir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Disse também que no encontro com Bolsonaro em 2022, mediado por ela, o então presidente perguntou se ele conseguiria invadir o sistema das urnas eletrônicas.

Zambelli disse hoje que levou Delgatti a Bolsonaro e a Valdemar para que ele falasse sobre o sistema das urnas eletrônicas. Envolver os dois é um modo de forçá-los a ajudar. Também disse que o dinheiro que pagou a Delgatti saiu de seu bolso, não de sua cota parlamentar. Se o dinheiro tiver saído da cota, há motivo para cassação.

Zambelli, portanto, está envolvida em tentativas de fraudar o sistema democrático. Sem falar no episódio em que bancou a policial e saiu com arma em punho ameaçando um jornalista, que também terminou no Supremo.

Par piorar, hoje o Conselho de Ética decidiu continuar um processo contra ela, acusada de xingar o colega Duarte Júnior (PSB-MA) em uma sessão. Do modo como as coisas funcionam no Congresso, Zambelli pode ser cassada não pela grosseria, mas pelo conjunto da obra.

Sua situação é péssima. Jair Bolsonaro não se esforçou para salvar ninguém que não tivesse seu sobrenome. Valdemar bateu no surrado argumento de que a PF não deveria entrar no Congresso, mas não defendeu Zambelli diretamente – afinal, ela é da ala bolsonarista, que tenta tomar-lhe o controle do partido. Por fim, Zambelli também não é daquelas parlamentares que os colegas sentem falta.