O ministro Fernando Haddad (Fazenda) admitiu a interlocutores que está certo de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, só acompanhou a redução dos juros para 13,25%, um corte de 0,5%, porque se sentia pressionado até por agentes do mercado.
Para o ministro, mais do que pressão política, Campos Neto vinha recebendo pedidos para a redução da taxa Selic até de segmentos econômicos ortodoxos, que sempre o apoiaram. O Brasil tem a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas do México, com 6,9%.
A perda do apoio da “Faria Lima”, avenida que concentra o setor financeiro em São Paulo, foi fundamental para a mudança de atitude de Campos Neto, no entender de Haddad. Ele, porém, diz que ficará mais claro o que pensa o presidente do Banco Central quando sair a ata do Copom.
No dia 10 de agosto é esperada a presença Roberto Campos Neto no Senado. Para Haddad, Campos Neto avaliou que se não fizesse um gesto para os seus e para a política poderia perder sustentação para se manter no cargo. Não por causa da pressão do governo, disse o ministro a seus interlocutores, mas por conta dos agentes com os quais o BC se relaciona.

