Um pregão eletrônico promovido pelo Banco do Nordeste (BNB) neste mês impõe que a instituição financeira contrate uma ferramenta específica de governança de privacidade, a One Trust, originária dos Estados Unidos.
O documento que trata das regras de licitação exclui a possibilidade de a instituição financeira contratar outra solução de tecnologia que não a One Trust. Especialistas ouvidos pelo Bastidor apontam que há ferramentas com valores menores e que atendem órgãos do governo.
A título de comparação, em um pregão realizado neste ano, o PRODERJ (Centro de Tecnologia de Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro) contratou por R$ 81 milhões a Every TI, que oferece a ferramenta da OneTrust.
Não será a primeira vez que o BNB recorre à One Trust. Conforme documento obtido pelo Bastidor, em 2020 o banco contratou a Price Waterhouse Tecnologia da Informação (PwC) por mais de R$ 2,7 milhões para prestar “serviços técnicos especializados de consultoria técnica com licença de sistema de governança de privacidade para implementação dos processos de adequação à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais)”. A OneTrust era a ferramenta no contrato com a Price.
Na ocasião, a contratação se deu por meio de inexigibilidade de licitação, ou seja, dispensa concorrência. No contrato, no trecho que trata dos planos de ação, é citada a One Trust como única opção. Segundo uma fonte, a regra foi um”jabuti” colocado no documento.
Procurado pelo Bastidor, o BNB ainda não respondeu ao contato.
Leia abaixo o documento sobre o pregão eletrônico e o contrato com a PwC:

