O governo brasileiro tentou, mas não conseguiu obter o compromisso de países vizinhos de zerar o desmatamento até 2030 na Cúpula da Amazônia, como queria o presidente Lula. O que deve sair no documento final, a Carta de Belém, é o compromisso com “urgência para acordar metas comuns contra o desmatamento até 2030”. Nada de meta.
É pouco provável que haja alguma mudança até a divulgação. Os negociadores do Ministério do Meio Ambiente e do Itamaraty ficaram frustrados com a resistência. Há, porém, avanços, segundo fontes inteiradas as negociações. Firmou-se o compromisso de fortalecer as decisões dos países no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônico.
Lula insistia no desmatamento zero. Era uma forma de neutralizar a eventual autorização para se explorar petróleo na foz do Rio Amazonas, que, antes mesmo de um eventual estudo detalhado a respeito, é alvo de crítica dentro e fora do país.
A diplomacia brasileira está empenhada em dar credibilidade internacional ao Brasil e, assim, fazê-lo o principal player e líder global na defesa do meio ambiente. Lula acha que uma boa atuação no meio ambiente – após quatro anos de retrocesso no governo Bolsonaro – pode abrir a oportunidade para dar relevância política ao país nas discussões econômicas internacionais.

