Apesar da pressa do governo em ver o arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso, os sucessivos adiamentos da votação na Câmara fizeram os auxiliares de Lula trabalharem com a possibilidade de ficar até o final do ano sem a sua aprovação. Acham que o tempo conta contra Arthur Lira (PP-AL) e seus aliados.

Confirmado o prognóstico, é possível que o governo envie o orçamento do ano que vem para o Congresso sem as novas regras previstas no marco fiscal. A lei determina o envio ocorra até 31 de agosto.

Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, não há preocupação com o eventual duplo trabalho de enviar um documento “virtual” no fim de agosto e, depois, outro realista, já com o marco fiscal sancionado.

A avaliação política, à boca miúda, é que os agentes econômicos não vão culpar o governo pelo atraso. Eles verão, acredita a equipe de Lula, que os adiamentos e os atrasos na votação ocorrem por chantagem da “turma do Lira”.

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) evidenciou a avaliação durante entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, quando disse que “a Câmara está com um poder muito grande e ela não pode usar esse poder para humilhar o Senado e o Executivo”.

A ordem é enviar o orçamento de 2024 dentro do prazo, mesmo sem as regras do arcabouço, caso a Câmara não vote na terça (22), como prometeu Arthur Lira, e deixar que o mercado e seus agentes econômicos pressionem o presidente da Câmara.