A articulação política de Lula interpretou as declarações de Arthur Lira (PP-AL) prevendo destravar neste momento a proposta de reforma administrativa, parada desde 2020 no Congresso, como uma tentativa de voltar a emparedar o governo.

O projeto foi elaborado pela Fazenda de Paulo Guedes e engavetado por Ciro Nogueira, quando o senador foi nomeado para a Casa Civil de Jair Bolsonaro. A PEC mantém-se a estabilidade dos servidores, mas prevê a possibilidade de se reduzir carga horária e salário em momentos de crise fiscal e de demissão após avaliação de desempenho.

Será um teste de estresse para o governo, cujo principal partido, o PT, é ligado aos sindicatos do serviço público e, como regra geral, é contra uma reforma administrativa.

Como mostrou o Bastidor, auxiliares de Lula vão aconselhá-lo a entrar na questão para ou evitar o avanço do projeto ou impedir mudanças que o governo considere prejudicial aos servidores. “Entrar na questão”, diz um auxiliar do presidente, significa entregar mais cargos e mais dinheiro para emendas.

A pressão será para que o presidente mexa logo no seu ministério para tentar sossegar o presidente da Câmara, tirando-lhe da cabeça o retorno à pauta de uma reforma administrativa.