Apesar da pressão do PT, de gente no próprio governo e de aliados, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) mandam hoje o orçamento de 2024 para o Congresso com a previsão de déficit zero e a promessa a Lula de que vão conseguir alcançar a meta.

Segundo interlocutores do governo, o presidente disse que confiaria no trabalho dos ministros, mesmo com o saldo negativo de 35 bilhões de reais alcançado em julho.

Lula sempre lembra a seus interlocutores que ter feito uma gestão fiscal responsável nos primeiros anos de seu primeiro mandato foi o que lhe permitiu melhorar os índices sociais e aumentar investimentos no decorrer dos seus dois mandatos.

O presidente entende que para alcançar a meta dependerá da habilidade não apenas da articulação política (leia-se Casa Civil e Relações Institucionais), mas da capacidade de movimentação de Haddad e Tebet no Congresso.

Segundo interlocutores de Lula, ele quer dividir com os parlamentares a responsabilidade pelos indicadores econômicos e sociais, já que tem dividido o orçamento, com as emendas impositivas e as que entram em negociação com o Congresso.

Simone Tebet deu o tom no Senado nesta quarta (30). Defendeu a aprovação do voto de qualidade do Carf para alcançar a meta de déficit zero. Conseguiu. Aprovado ontem, o projeto agora segue para a sanção presidencial.

Ela também defendeu a aprovação de crédito extra para custeio, rejeitada pela Câmara no arcabouço fiscal, mas que o governo conta com a sua previsão no orçamento do ano que vem.

Fernando Haddad convenceu o presidente de que o déficit zero é fundamental para garantir credibilidade do governo com os agentes do mercado, os investidores e, assim, diminuir o custo Brasil.