Apesar de prometer ajudar e repassar dinheiro da União ao Rio Grande do Sul e aos municípios atingidos por um ciclone extratropical nesta terça (5), além de enviar uma comitiva de ministros, Lula não irá ao estado. A decisão, embora ninguém diga ao presidente, é vista como um erro estratégico por auxiliares.
No que classificou o governador gaúcho, Eduardo Leite, como o pior desastre em decorrência de um evento climático nos últimos 40 anos, 27 pessoas morreram e quatro mil estão desalojadas até agora.
Lula, porém, disse a seus auxiliares que às vésperas de uma viagem internacional, em meio a negociações para mudança no ministério e a fragilidade na sua saúde (ele sente fortes dores no quadril por conta de uma artrose no fêmur) ficaria difícil sua ida ao Rio Grande do Sul.
Para auxiliares, porém, o presidente poderia adiar a viagem a Nova Déli, na Índia, de quinta (7) para sexta (8), ganhando um tempo de descanso, ainda que chegue um pouco atrasado ao G20, que só começa dia 9.
A avaliação é que, para o cidadão comum, a saúde do presidente poderia justificar sua ausência. O problema é que Lula vai para Índia, depois para Cuba e Estados Unidos. Falta, porém, coragem para contrariar Lula e Celso Amorim, seu assessor especial para Assuntos Internacionais.
A viagem ao G20, diz uma fonte do Palácio do Planalto, é importante para Lula, porque o Brasil assume a presidência provisória do grupo, mas a ausência do presidente da China, Xi Jinping, e a provavelmente ausência do presidente americano, Joe Biden, enfraquece a conferência. Portanto, a readequação da agenda na Índia não seria um grande problema.
Lula esteve no litoral de São Paulo, em fevereiro, e no Maranhão, em abril, quando os estados sofreram com desastres e mortes em decorrência das chuvas.

