Mais do que a vice na chapa do prefeito de São Paulo, está em jogo na atribulada negociação do bolsonarismo com Ricardo Nunes (MDB) para as eleições do ano que vem, espaços na prefeitura – mais especificamente na comunicação.
Há divisão e disputa de poder no bolsonarismo paulistano.
Aliados mais radicais de Jair Bolsonaro e fontes da prefeitura de São Paulo disseram ao Bastidor que uma parte do bolsonarismo não quer apoiar o prefeito com ou sem cargos no governo.
O grupo defende que não haja uma composição eleitoral com Nunes e que seja lançando um candidato próprio, até mesmo alguém de fora do PL.
Desta ala, um dos nomes ainda falados para a disputa pela direita é o do deputado Ricardo Salles (PL). Sem o apoio o apoio do partido e de Bolsonaro, Salles desistiu de concorrer — ao menos momentaneamente.
Há outro grupo, menos radical e mais próximo de Jair Bolsonaro, cujo principal personagem é o advogado Fábio Wajngarten, ex-ministro da Secom.
Segundo fontes da prefeitura, é Wajngarten quem pressiona Ricardo Nunes por cargos, especialmente na comunicação. Ele é autorizado por Bolsonaro, que já admitiu a aliados não ver problema numa candidatura própria.
O “não ver problema” ganhou uma versão, entre os aliados de Wajngarten, de ser ele “o candidato de Bolsonaro”. É, novamente, uma forma de pressionar Nunes a abrir espaços aos bolsonaristas alinhados a Wajngarten.
Em meio às disputas em São Paulo, o dono do PL, Valdemar Costa Neto acha que as pesquisas locais pedem alguém menos ideológico, daí ter sugerido o nome de Marta Suplicy.

