A leitura geral dos primeiros julgamentos do Supremo Tribunal Federal —não apenas a dos votos técnicos, mas também dos discursos dos ministros— no staff de Jair Bolsonaro é de que estão construindo um conjunto de evidências que permita à corte acusar o ex-presidente de comandar uma organização criminosa para dar um golpe de Estado.

Na opinião de uma fonte próxima e informada de Bolsonaro, a intenção ficou evidente quando quando os ministros apontam para o contexto do dia 8 de janeiro e dizem haver uma organização por trás.

Em seus votos, eles afirmam que: para além da ação em si dos réus, era preciso pensar na organização prévia de convocação para aquele domingo; na construção do clima golpista, com a rejeição ao resultado com base na confiabilidade das urnas, do processo eleitoral e das instituições que tocavam as eleições; e nos encontros do presidente com um hacker e com os chefes das Forças Armadas.

Para esses aliados, “é o momento de se preparar para o impacto” e planejar o momento posterior. Segundo uma fonte informada, as estratégias políticas e jurídicas devem estar claras para o núcleo mais próximo de Bolsonaro.

Um exemplo citado como preparação é a construção de uma narrativa de perseguição jurídica no exterior, como já mostrou o Bastidor. O PL está encarregado disso, com a contratação de advogados especializados em direito internacional e que possam construir uma denúncia “robusta” nos organismos de direitos humanos.