Livre da acusação de receber propina de Joesley Batista, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) deu início a um teste político para a possibilidade de ser presidenciável em 2026.

Sua participação nesta quinta (6) nas solenidades dos 35 anos da Constituição, no Congresso, evidenciou seu desejo de disputar a Presidência da República e o ajudou a medir a temperatura para eventuais apoios no futuro, dizem seus aliados.

Em sua fala, Aécio riscou uma linha entre ele e o presidente Lula, quem —lembrou ele— votou contra a Constituição em 1988. Ao estabelecer a diferença, foi muito aplaudido por lideranças de centro, entre os quais estavam parlamentares governistas.

Aécio, que foi constituinte a exemplo de Lula, disse durante a solenidade que “houve uma voz dissonante [no momento da votação da carta magna] dizendo [que] ‘ainda não foi desta vez que os trabalhadores tiveram uma constituição’ e encaminhou o voto não”. Esse líder, seguiu Aécio, “era Lula, hoje presidente da República”.

A bem da verdade, o discurso de Lula no dia da votação – e citado por Aécio – ponderava que ele votaria “não” para marcar posição do que considerava ser um avanço tímido em relação aos direitos dos trabalhadores. Mas, no fim, todos os petistas assinaram a Constituição como os demais participantes.

Segundo aliados de Aécio Neves, a receptividade foi ótima. Não apenas com aplausos, mas com apoio mais explícito. A recepção foi a mesma, como mostrou o Bastidor, no evento do PSDB em Brasília no fim de agosto.