A diplomacia brasileira, por orientação de Lula, foi dividida em duas frentes para lidar com a guerra entre Israel e Hamas. Uma é liderada por Celso Amorim, assessor para assuntos internacionais do presidente; e outra, pelo chanceler Mauro Vieira.
Amorim mobiliza seus contatos políticos e diplomáticos com países como Irã e Qatar, dois Estados que sabidamente financiam e fornecem material bélico ao Hamas, e com Israel; Vieira lidera as negociações para o resgate de brasileiros em Israel e em Gaza pela FAB, com o trabalho operacional do Ministério da Defesa.
A grande dificuldade de Vieira está em conseguir uma rota segura para a retirada, não apenas de brasileiros, mas de civis e refugiados. Até agora não tem havido sucesso sobretudo com Israel, que não garante um trajeto seguro até a fronteira com o Egito. Nas últimas horas, foram três ataques israelenses ao caminho.
O Egito também não pretende abrir as fronteiras para entrada descontrolada de refugiados e, menos ainda, militantes do Hamas.
Da parte de Amorim, como informou o Bastidor, a diplomacia brasileira tinha conhecimento da tentativa de acordo negociado pelo Qatar para a troca de reféns e presos, mas, segundo uma fonte da diplomacia informada das conversas, está tudo travado.
Um dos problemas é o risco de Israel aumentar os ataques à Faixa de Gaza, com custo alto de vidas de civis palestinos. Do outro lado, os israelenses não estão seguros sobre as informações que recebem dos reféns sequestrados pelos terroristas do Hamas.
O Brasil tem a perspectiva de se posicionar bem em relação ao Irã e ao Qatar para uma eventual negociação futura.
Uma estratégia do Brasil, sobretudo da parte de Amorim, é conseguir um papel de relevância num eventual acordo entre o Hamas e Israel, por conta de sua posição de. Mesmo com acesso a grupos palestinos mais radicalizados, ele mantém proximidade com a diplomacia israelense. Uma das questões é se sobrará alguém para negociar no lado do Hamas, após o contra-ataque israelense.

