Apesar da clara dificuldade de conseguir consenso entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a diplomacia brasileira vê com “leve otimismo” a votação nesta terça (17) da resolução proposta pelo Brasil.

No texto, aberto à negociação para um acordo, o país previa um cessar-fogo imediato para que se consiga um corredor humanitário. Mas o parágrafo foi retirado na tentativa de um acordo. A diplomacia, agora, procura outros termos para incluir uma rota segura para a retirada de civis e a entrada de ajuda.

A dificuldade está na divisão entre os membros permanentes, que têm o poder de veto sobre as resoluções.

Os Estados Unidos, principalmente, recusam o termo “cessar-fogo imediato”, ainda que para um corredor humanitário. Dizem que Israel tem o direito de atacar o Hamas na Faixa de Gaza, ainda que isso represente riscos a civis. O país, no entanto, não se opõe a negociar uma saída humanitária.

A disposição do presidente dos EUA, Joe Biden, de viajar an Israel também é um indicativo de que o país pode vetar a resolução do Conselho de Segurança. Especula-se que Biden queira anunciar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um plano para a entrada de ajuda humanitária sem passar pela ONU.

Ainda assim, o Brasil tenta aprovar a resolução com outros termos, mas que signifiquem algo próximo ao “cessar-fogo imediato”. Poderia tratar como “pausas humanitárias para permitir o acesso humanitário rápido, seguro e sem entraves às agências da ONU”.

O corredor humanitário para a saída de gente encontra a rejeição do Egito, que teme receber de uma única vez os milhões de refugiados no vale do Sinai, fazendo do território uma espécie de nova Faixa de Gaza.

Ainda no texto em negociação, cuja única medida prática — o corredor humanitário— foi retirada na segunda (16), há termos duros que podem ter a rejeição de países como Rússia e China, como o que condena, de maneira “inequívoca” os “ataques terroristas hediondos perpetrados pelo Hamas que tiveram lugar em Israel” e “a tomada de reféns civis”.

A manhã desta terça, antes da votação no Conselho de Segurança, será usada pela diplomacia brasileira para tentar atender as demandas e os interesses do Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia, especialmente os últimos três.