A entrega dos relatórios de projetos de lei do senador Eduardo Braga (MDB-AM) sobre a reforma tributária e as negociações em torno do texto do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) sobre a taxação dos super-ricos lotam os corredores do Congresso de lobistas nesta semana.

Além dos já frequentes representantes de sindicatos, de grandes empresas e do mercado financeiro, há desta vez o lobby de estados e municípios, preocupados sobre como ficarão suas contas com as mudanças previstas.

No caso dos estados e municípios, a concentração está no Senado, nos encontros com Braga e outros senadores, para tentar influenciar a distribuição do Fundo de Desenvolvimento Regional. Na previsão feita pela Câmara, o fundo terá 40 bilhões de reais; mas Braga já falou em ampliar o valor.

Braga, cuja base é o Amazonas, se preocupa especialmente com a zona franca de Manaus, é sensível às demandas políticas locais e empresariais. Nesta quarta (18), por exemplo, passou a manhã reunido com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) para discutir, entre outros abacaxis da reforma, os impostos sobre a sua região.

Não está diferente na Câmara. O deputado Pedro Paulo sofre pressão de grupos de lobistas, especialmente os que representam os fundos dos super-ricos e os intermediários de investimentos em offshores.

O argumento para que modifique seu texto é que haverá fuga de recursos do país. Haddad também deve fazer nova rodada de conversa com o deputado porque a Fazenda contesta isso e prevê, ao contrário, uma arrecadação de 20 bilhões de reais.