O Brasil vai atuar em duas frentes na tentativa de encontrar um termo que alivie a crise humanitária na Faixa de Gaza após os ataques de Israel, que revida os atos terroristas do Hamas de duas semanas atrás.

Uma delas será por meio da reunião de cúpula no Egito, neste sábado (21); a outra novamente no Conselho de Segurança da ONU, na terça (24). Em ambas, haverá a tentativa de minimizar as mortes de civis e, principalmente, impedir o espraiamento do conflito pela região.

Além do Egito, confirmaram presença no encontro Catar, Iraque, Turquia, Jordânia. O Brasil foi o único das Américas convidado. Na Europa, foi convidada a Espanha, que está na presidência rotativa da União Europeia. O objetivo da reunião é segurar o conflito, sobretudo o custo de vidas.

Há a preocupação generalizada com a subida de tom nos discursos internos dos países da região por conta da mudança do humor popular. O rei da Jordânia, por exemplo, passou a dizer em entrevistas que qualquer nova tentativa de Israel de deslocar em massa palestinos será considerada uma guerra contra seu país.

Na semana passada, Israel determinou a evacuação de milhares de pessoas do norte da Faixa de Gaza para a ocupação do exército e o combate aos soldados do Hamas. A ação, acusa a diplomacia dos países vizinhos, é um desrespeito ao Direito Internacional.

O Egito também se preocupa com os rumos da guerra.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, vê o Hamas como um risco para a segurança nacional. O grupo de Gaza é próximo de um dos seus principais adversários políticos internos, a Irmandade Muçulmana.

O problema é que o revide indiscriminado e por tempo indeterminado de Israel dá popularidade ao discurso de entrada de outros países no conflito. Não é o que quer também o governo da Jordânia nem a Autoridade Palestina, que é ameaçada diretamente pelo Hamas.

O nome provável para participar deste encontro é o do assessor especial de Lula, o ex-ministro Celso Amorim, que mantém contatos com os governos desses países e com o próprio Hamas.

Os debates serão levados ao Conselho de Segurança da ONU três dias depois.