É proposital a ideia das lideranças da Câmara —e, claro, afiançada por Arthur Lira (PP-AL)— de deixar somente com o governo a responsabilidade de definir a meta fiscal para o ano que vem.

Ninguém no Congresso quer assumir a responsabilidade por eventuais cortes orçamentários em 2024 ou, ao contrário, ser acusado de ter suas digitais na manutenção dos juros altos por contribuir para um déficit.

Com um ano eleitoral pela frente, diz uma liderança ao Bastidor, “ninguém quer ficar mal com prefeitos ou ser acusado de mudar de meta zero para déficit 1”, embora poucos acreditassem nela.

É por isso, diz o deputado, que o Congresso deve esperar a mudança do texto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) pelo governo ou por alguém ligado ao governo. “Sabemos quem vamos culpar depois”, diz o parlamentar.

O relator da LDO, deputado Danilo Fortes (União Brasil-CE), discretamente se deixou revelar durante uma conversa com repórteres nesta terça (8), quando afirmou que “seria mais confortável (…) se essa emenda [com a mudança da meta] fosse liderada por alguém próximo ao governo, porque a responsabilidade ficaria mais identificada com o governo”.

A percepção entre os parlamentares é de que alguém vai sair insatisfeito no próximo ano —melhor que não sejam eles, garantindo as emendas.

Mesmo com a promessa de Lula de não haver cortes nos gastos, é sabido que a arrecadação não acompanha o crescimento das despesas.

Não havendo corte, como disse o presidente, aumenta déficit e, consequentemente, os juros permanecem altos e travam o crescimento econômico.