É visível a deterioração da afinidade entre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Segundo fontes do PT e do governo ouvidas pelo Bastidor, os dois estão naquela fase de se evitar nos encontros reservados com o presidente Lula.
Até onde se sabe, a relação entre eles começou a se desgastar ainda durante a transição do governo Lula. Já à época, Rui Costa projetava ter mesmo um espaço de destaque no governo e, por intriga de gente próxima, passou a acreditar que havia uma tentativa sabotagem de Jaques Wagner.
Foi o primeiro indício, diz um petista, de que a amizade entre criador (o senador) e a criatura (o ministro) vivia um ocaso.
Segundo um auxiliar do presidente, a história é parcialmente falsa. Lula de fato desenhara desde o início um “ministério prestigioso” para o grupo político. Mas, por se tratar de um grupo, o espaço de destaque político ficaria somente com um dos dois. Até havia a possibilidade de outro ministério, mas seria algo menos importante.
Por fim, Jaques Wagner, com mandato de senador, optou pelo Senado e ajudar na articulação na função de líder.
Passado o desenho do ministério e posse tomada, Rui Costa se tornou alvo da intriga generalizada. Dizem as fontes do Palácio do Planalto e do Congresso, que foi por conta de seu gênio. Costa é chamado de arrogante tanto pro por detratores quanto por aliados.
Um petista graduado no partido reclamou do chefe da Casa Civil nestes termos: “Ele acha que está lidando com seus asseclas na Assembleia Legislativa.” O erro de Costa, continuou o correligionário, é não perceber que “o trato com deputado estadual é diferente do trato com políticos em Brasília”.
Do Planalto, Rui Costa atribuía os petardos ao padrinho político instalado no Senado. Ele tinha certeza de que era Wagner quem incitava gente do Congresso e do próprio governo contra a sua liderança.
É neste período que surgiu a ideia de mandar o ministro da Casa Civil de volta para Salvador, como prefeito na disputa do ano que vem. Costa considerou a oferta ofensiva e a articulação pausou.
O problema, porém, não se resolveu e os dois passaram a disputar a indicação do partido para a disputa local. Publicamente, dizem que caberá ao governador Jerônimo Rodrigues decidir o nome do futuro candidato.
A rivalidade transbordou e, agora, a discórdia é a meta fiscal.
Para o líder do governo no Senado, Lula deve se alinhar a Fernando Haddad (Fazenda) na busca do déficit zero —ainda que não se consiga adiante cumprir a meta. Já o ministro da Casa Civil é a favor do aumento dos gastos para fazer o governo bombar em popularidade.
Jaques Wagner, que sempre contou com boa popularidade interna no PT, agora vê seu ex-pupilo brilhar no partido.

