Integrantes do governo brasileiro começam a projetar cenários possíveis a partir da vitória eleitoral de Javier Milei na Argentina. São esperados alguns movimentos, com base em informação de contatos com gente da equipe do presidente eleito com auxiliares de Lula.
Segundo essas fontes da equipe de Milei, o novo presidente deve descartar a possibilidade de aderir ao Brics em janeiro do ano que vem, como previsto quando se aprovou o ingresso de Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, além da Argentina.
Nestes contatos, a equipe de Milei avaliou previamente que não há vantagem econômica em integrar o bloco. Auxiliares de Milei não acreditam que isso vai fortalecer ou ampliar as relações comerciais com a China.
Os chineses e os brasileiros são os dois maiores parceiros comerciais da Argentina.
Há, na opinião desses contatos da campanha de Milei, a expectativa de que Donald Trump vença as eleições do ano que vem nos Estados Unidos, o que joga contra a possibilidade do ingresso do país no grupo. Como Bolsonaro em 2018, Milei acha que Trump pode melhorar as relações econômica entre os países.
Milei, analisa o governo brasileiro, apostará na relação com Trump para conseguir prescindir da dependência da China, do Brasil e da Rússia. Mas a preocupação no governo brasileiro pode ser mais política do que econômica.
Há o temor de que haja uma nova onda eleitoral à direita nas Américas que atrapalhe em 2026 a reeleição de Lula ou de outro sucessor à esquerda.

