Apesar de (mais) denúncias, o ministro Juscelino Filho (Comunicações) se mantém firme no governo —ou ao menos até Lula decidir fazer uma reforma ministerial e chamar os respectivos padrinhos políticos para uma conversa.
No caso de Juscelino, os padrinhos são o senador Davi Alcolumbre (União-AP), que comanda a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL).
Juscelino é investigado pela Polícia Federal, suspeito de ter usado o dinheiro de emendas durante o seu mandato de deputado federal para fazer pagamentos a uma empresa que pertence a ele, como revelou reportagens do Estadão. A acusação é de desvio de dinheiro público e ocultação de patrimônio.
Segundo auxiliares do presidente, Lula está incomodado com a situação. Mas prefere segurar o ministro por mais um tempo, porque até agora nenhuma das denúncias se refere a eventuais crimes cometidos no comando do Ministério das Comunicações.
A mudança deve ficar para a hora da reforma, pois Lula não quer melindrar seus padrinhos de Juscelino.
Apesar da aproximação dos bolsonaristas do Senado, Davi Alcolumbre tem ajudado o governo. Marcou com rapidez as sabatinas de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal e de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República. Também ajudou o governo a garantir votos da oposição no Senado para a reforma tributária.
Vale o mesmo argumento para Arthur Lira, que, com uns pedidos aqui ou exigências ali, tem garantido quase tudo o que quer o governo.

