O protagonismo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na renegociação da dívida de Minas Gerais com a União não deixou somente o governador do estado, Romeu Zema (Novo), indignado com o presidente Lula.
Lideranças do PT de Minas ficaram “decepcionadas” com o Palácio do Planalto, segundo um parlamentar disse ao Bastidor. No estado, que é o terceiro maior colégio eleitoral do país, o partido busca ocupar um espaço desde 2018, com a derrota de Fernando Pimentel na eleição para governador. O petista sequer foi ao segundo turno, disputado por Zema e Antonio Anastasia.
A ausência do PT na mesa de negociação, que é considerada determinante para a eleição de 2026, foi vista por parte da direção estadual do partido como uma determinação de Lula para que PT e PSD caminhem juntos no próximo pleito, como ocorreu em 2022.
Os petistas, que apoiaram Alexandre Kalil para governador, sequer tiveram candidato ao Senado, já que a vaga na chapa foi ocupada pelo atual ministro de Minas e Energia.
Um articulador político do governo aponta para duas situações em favor da decisão de Lula em optar pelo protagonismo dos aliados: 1- a bancada do PT de Minas, sem Pacheco e Silveira, não teria força para encarar sozinha a resistência de Zema; 2 – ainda há algo mal resolvido entre Lula e o PT mineiro, que não assumiu nenhum ministério por opção do presidente. Um dos nomes cotados, Reginaldo Lopes, acabou preterido por parlamentares do centrão.
A participação de algum petista nas negociações, diz um deputado, seria importante até para as eleições municipais de 2024. O deputado Rogério Correia, por exemplo, é pré-candidato à prefeitura de Belo Horizonte e ainda não saiu na foto ao lado de Lula, Pacheco e Silveira.

