Dificilmente haverá um acordo neste primeiro encontro entre os chefes de Estado da Venezuela e da Guiana sobre Essequibo, avalia a diplomacia brasileira. Mas os esforços do Brasil serão no sentido de adiar a discussão para depois das eleições venezuelanas.

O presidente Lula foi convidado para o encontro nesta quinta (13) como observador das conversas entre Nicolás Maduro e Irfaan Ali. Ele enviará seu assessor Celso Amorim.

Há questões nesta disputa em que os interesses do Brasil se alinham e divergem aos dos Estados Unidos. Inicialmente, os governos brasileiro e americano se alinham na importância da realização das eleições na Venezuela.

Ao tentar um acordo que jogue para frente, o Brasil quer tirar a possibilidade de Maduro cancelar as eleições sob o argumento de que o país está em guerra. Ou, ainda, que o ditador não cancele as eleições e o conflito para se beneficiar no pleito.

Encerra aí o alinhamento das gestões de Lula e a de Joe Biden.

O Brasil não quer a intromissão dos EUA na região. Nem é do interesse dos democratas, especialmente de Biden, uma política tão forte de “américa para os americanos”. Mas, segundo fontes do Itamaraty, ele sofre pressão interna, especialmente neste período pré-eleitoral, para não deixar que a petroleira ExxonMobil seja prejudicada num eventual controle de Essequibo pela Venezuela.

Antecessor e mestre de Maduro, Hugo Chávez expulsou a ExxonMobil do país e nacionalizou toda a cadeia de produção do petróleo no país. A diplomacia brasileira sabe que, desde então, o lobby da empresa nos EUA atua para atrapalhar qualquer aproximação entre os países.

O governo Maduro também não quer saber da empresa americana.

Os movimentos de aproximação do EUA da Guiana, especialmente no que se refere à presença militar americana na América do Sul, incomodam o Brasil. Para a diplomacia brasileira, os Estados Unidos são um fator de desestabilização da paz na região e atrapalham a liderança brasileira.