Da longa lista de candidatos ao comando do Ministério da Justiça, nenhum nome provoca tanto temor na articulação política do governo quanto Ricardo Lewandowski. Claro, nenhum ministro e parlamentar quer perder a chance de ocupar, ou indicar quem ocupe, uma pasta tão forte. Vale para quem é do PT, vale para quem é do PSB e vale para quem é do MDB – legendas que têm um ou mais candidatos, tamanha a força e o prestígio do Ministério.
O temor dos principais articuladores da base, seja no Planalto, seja no Congresso, deve-se ao que eles percebem ser o risco de que a nomeação de Lewandowski na Justiça exponha demasiadamente a aliança – ou a harmonia, como preferem alguns – entre o governo Lula e a maioria do Supremo.
Lewandowski era próximo da família de Lula quando foi nomeado pelo petista ao Supremo. No tribunal, votou consistentemente alinhado a Lula e ao PT. Foi decisivo para a anulação dos processos contra o presidente e para triturar a Lava Jato. Embora a proximidade entre Lewandowski e Lula seja incontestável, a nomeação dele como ministro da Justiça conferiria peso político e simbólico a essa relação.
A leitura política seria óbvia, e obviamente explorada pela oposição: a nomeação terá sido uma paga, um prêmio, pelo o que Lewandowski fez por Lula no Supremo. As decisões do ministro serão revistas sob a luz do novo cargo obtido. (O fato de Lewandowski prestar serviços a clientes como a J&F dos irmãos Batista, que tentam se beneficiar dos precedentes criados pelo ministro, não ajuda na imagem que a indicação teria.)
Como Lewandowski aposentou-se há poucos meses do Supremo e ocuparia uma função que exigiria dele conversar com os colegas da corte, intensificaria imediatamente a percepção de sintonia fina entre Lula e o tribunal, avaliam dois desses articuladores políticos.
Eles duvidam que o ministro aposentado teria astúcia suficiente para reverter essa percepção. O gabinete do ministro da Justiça é oposto ao de um ministro do Supremo. Nos gabinetes do tribunal, geralmente quem entra precisa do ministro. Quer agradar. Não raro vive disso.
No gabinete da Justiça, entram mais encrencas do que bons modos. Os problemas políticos cotidianos de um ministro da Justiça não aguardam audiência. Costumam ser urgentes e intratáveis, como crises em presídios e ações de facções criminosas. Quando não são coisa pior: parlamentares insatisfeitos com pedidos políticos impossíveis.
Somente Lula sabe quem colocará à frente da pasta – e quando. Não faltam especulações. Mas o nome de Lewandowski está, sim, na mesa. E quem precisa carregar o governo prefere que o ministro aposentado siga fora da Esplanada.

