Ao se reaproximar de Marta Suplicy e se esforçar para o retorno dela ao PT, Lula não pensa apenas em tornar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) mais competitiva para a disputa pela prefeitura de São Paulo. Ele tenta “trazer de volta um quadro que nunca deveria ter saído” do partido.

Marta deixou a prefeitura de São Paulo há quase 20 anos, mas guarda um forte capital político. Contudo, disse o presidente a interlocutores, não é só isso. Foi ela quem primeiro alertou Lula, ainda em 2013, para o risco de impeachment que Dilma Rousseff caso ela tentasse a reeleição em 2014.

A então senadora defendeu que Lula fosse o candidato a presidente naquela eleição. Na ocasião, ela narrou ao hoje presidente que a inabilidade política da então presidente poderia jogar o país numa crise profunda e levar a seu afastamento se vencesse as eleições.

Marta Suplicy contou a Lula, por exemplo, que, naquele momento, com quase três anos no cargo, Dilma recebera o líder do PT no Senado apenas duas vezes. Na ocasião, o hoje presidente autorizou que a então senadora tratasse do assunto com os senadores petistas e com aliados de outros partidos.

Aloizio Mercadante, que hoje está à frente do BNDES e que na época ocupava a Casa Civil, correu a Dilma para convencê-la a publicamente se colocar como “candidata natural” a reeleição e, assim, travar o movimento “volta, Lula”.

Lula não esqueceu a leitura política afiada de Marta Suplicy, nem da movimentação por seu retorno. Ele acha que, se tivesse assumido a presidência da República na ocasião, sua história, com cadeia e condenação na Lava Jato, e a do país, com a eleição de Jair Bolsonaro, teria sido outra.