Há uma disputa de versões no governo que opõe a articulação política e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O último capítulo foi o anúncio da Medida Provisória que reonera a folha de pagamentos de 17 setores.

Os atritos se intensificaram nos últimos meses do ano ao longo das votações de pautas econômicas e vão além da resistência que alas do PT têm ao ministro da Fazenda.

Segundo um deputado petista, poucos acreditam no cumprimento da meta de déficit zero e vai se buscar um culpado. Parte da equipe econômica diz que muitas das derrotas se deram a partir do não cumprimento de promessas feitas pela articulação política. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), corrobora essa versão e tem em Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil) dois antagonistas.

Lira, inclusive, às vésperas do recesso parlamentar, criticou publicamente um membro do Palácio do Planalto que vazou para a imprensa um suposto desentendimento entre ele e Haddad.

A aproximação de Lira com Haddad, na interpretação de uma liderança com quem o Bastidor conversou, fez com que Haddad atendesse mais aos interesses da Câmara do que aos do Senado, casa de onde saiu o projeto da desoneração da folha. Essa também é a versão da articulação política.

Lula, na última reunião ministerial, disse que um dos objetivos em 2024 é evitar os atritos entre membros do governo.